Como emitir Nota Fiscal Eletrônica (NF-e): passo a passo 2026
Emitir nota fiscal não é só obrigação burocrática — é o que separa uma empresa formal de um trabalho na informalidade, abre portas para B2B, viabiliza financiamento e protege contra autuações. Este guia mostra os tipos de nota, como começar do zero e os erros mais caros que iniciantes cometem.
Os principais tipos de nota fiscal
NF-e (modelo 55)
Nota Fiscal Eletrônica usada para venda de produtos/mercadorias. Substituiu a antiga nota fiscal em papel (modelo 1/1A). Padronizada em território nacional, regulamentada pelo Ajuste SINIEF 07/2005.
NFC-e (modelo 65)
Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica. Usada em vendas ao consumidor final no varejo, em substituição ao cupom fiscal antigo. Quem usa: lojas, supermercados, restaurantes, postos de combustível.
NFS-e (NF-S)
Nota Fiscal de Serviços Eletrônica. Municipal, não nacional. Cada cidade tem seu próprio sistema (formato, login, layout). Quem usa: empresas que prestam serviços (LC 116/2003). Há um padrão nacional NFS-e em adoção gradual desde 2022, mas ainda não obrigatório em todos os municípios.
CT-e (modelo 57)
Conhecimento de Transporte Eletrônico. Usado por transportadoras em fretes intermunicipais e interestaduais.
MDF-e (modelo 58)
Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais. Usado em operações com vários documentos juntos, tipicamente quando uma transportadora leva várias cargas no mesmo veículo.
O que você precisa para começar
1. CNPJ ativo
Seu CNPJ precisa estar com situação ATIVA na Receita Federal. Empresas baixadas, suspensas ou inaptas não conseguem emitir.
2. Inscrição Estadual (para NF-e/NFC-e)
Quem vende mercadorias precisa de IE na Sefaz do estado. MEI prestador de serviço normalmente não precisa; MEI vendedor de produtos sim (algumas atividades isentam, varia por estado).
3. Inscrição Municipal (para NFS-e)
Para emitir nota de serviço, é preciso estar cadastrado na Prefeitura do município onde está a sede. Geralmente solicitada junto com o alvará.
4. Certificado Digital
É a "assinatura digital" da empresa, obrigatória para emitir NF-e/NFC-e (NFS-e varia por município — alguns aceitam senha simples).
- e-CNPJ A1: instalado no computador, validade 1 ano. Custa R$ 200-300/ano.
- e-CNPJ A3: armazenado em token USB ou cartão. Validade 3 anos. Custa R$ 400-600.
O A1 é mais prático para uso em múltiplos sistemas; o A3 é mais seguro fisicamente. Para PMEs, A1 geralmente é melhor.
5. Sistema emissor
Você precisa de um software para gerar o XML, transmitir à SEFAZ e receber a autorização. Opções:
- Emissor gratuito da SEFAZ — alguns estados oferecem (caiu em desuso, mas existem)
- Emissor gratuito Nacional Sebrae — descontinuado em 2024
- ERPs com módulo fiscal — Bling, Tiny, Conta Azul, eNotas, NFe.io, Olist (planos a partir de R$ 50/mês)
- Sistemas próprios de bancos PJ — Cora, Nubank PJ e outros oferecem emissão simples
- Sistemas grátis de prefeitura para NFS-e (não exigem certificado em vários casos)
MEI prestador de serviço geralmente consegue emitir NFS-e gratuitamente direto no site da prefeitura, sem certificado digital. Para produtos, depende do estado — algumas SEFAZ oferecem emissor MEI gratuito.
Passo a passo: emitir sua primeira NF-e
Passo 1 — Cadastre os parâmetros da empresa
No sistema emissor, configure:
- CNPJ, Razão Social, Inscrição Estadual
- Regime tributário (Simples, Presumido, Real)
- Certificado Digital (importação do arquivo .pfx ou conexão com token)
- Ambiente: produção ou homologação (teste sempre em homologação antes)
- Próximo número de NF-e a emitir (começa em 1)
Passo 2 — Cadastre o cliente
- CNPJ ou CPF do destinatário
- Razão social/Nome
- Endereço completo
- Inscrição Estadual (se PJ contribuinte)
- E-mail (para envio do DANFE)
Passo 3 — Cadastre o produto
- Código interno e descrição
- NCM (8 dígitos)
- CEST (se em Substituição Tributária)
- Unidade de medida
- CFOP padrão (varia por operação)
- Origem (nacional, importado etc.)
- Tributação ICMS, PIS, COFINS, IPI
Passo 4 — Crie a nota
- Selecione cliente
- Adicione itens com quantidade e preço
- Informe forma de pagamento
- Adicione frete, seguro, descontos se houver
- Confira impostos calculados automaticamente
Passo 5 — Transmita para a SEFAZ
Ao clicar em "Transmitir", o sistema gera o XML, assina digitalmente com seu certificado, envia para a SEFAZ do seu estado e aguarda autorização (geralmente em 1-5 segundos). Você recebe:
- Chave de acesso de 44 dígitos
- Protocolo de autorização
- DANFE (PDF para imprimir/enviar)
- XML autorizado (arquivo oficial)
Passo 6 — Envie ao destinatário
Envie o DANFE em PDF (versão amigável) e o XML (versão oficial obrigatória para B2B). A maioria dos sistemas envia automaticamente por email.
Antes de emitir, confirme os dados
Consulta CNPJ retorna razão social, IE, endereço e regime do cliente.
Os 7 erros mais comuns na emissão
1. CNPJ do destinatário com situação irregular
Se o CNPJ está suspenso, inapto ou baixado, a SEFAZ rejeita. Sempre consulte o CNPJ do cliente antes de cadastrar.
2. NCM inválido ou desatualizado
A tabela NCM é atualizada regularmente. NCM antigo é rejeitado. Veja nosso guia completo de NCM.
3. CFOP errado para a operação
CFOP 5102 (venda dentro do estado) é diferente de 6102 (interestadual) ou 5905 (remessa para conserto). Usar CFOP errado gera autuação ou nota rejeitada.
4. CST/CSOSN inconsistente com o regime
Empresa no Simples usa CSOSN (3 dígitos). Empresa no Presumido/Real usa CST (3 dígitos com lógica diferente). Misturar causa rejeição.
5. Total da nota diferente da soma dos itens
Arredondamentos em descontos, frete e impostos podem gerar centavos de diferença. Sistemas profissionais resolvem; planilhas amadoras não.
6. Esquecer o IE do destinatário
Se o destinatário é PJ contribuinte de ICMS, é obrigatório informar IE. Se for não-contribuinte (consumidor final ou PJ exclusivamente prestadora de serviço), informa-se "ISENTO".
7. Esquecer de transmitir EFD-Contribuições ou SPED Fiscal
Emitir não é tudo. As notas emitidas precisam aparecer nas declarações mensais (EFD-Contribuições para PIS/COFINS, SPED Fiscal para ICMS/IPI). Empresas que emitem e esquecem das declarações geram pendência.
O que fazer quando a nota é rejeitada
A SEFAZ retorna uma justificativa codificada. Os códigos mais comuns:
- Rejeição 539: Duplicidade — nota já emitida com mesma chave
- Rejeição 226: Código UF da chave incorreto
- Rejeição 233: Inscrição Estadual do emitente inválida
- Rejeição 491: Destinatário não cadastrado na SEFAZ
- Rejeição 778: NCM com data fim de vigência expirada
Cada rejeição tem solução específica. Anote o código e procure no portal da SEFAZ ou consulte o contador.
Cancelamento e Carta de Correção
Cancelamento: possível em até 24 horas após a emissão, e somente se o produto/serviço ainda não foi entregue. Após esse prazo, o caminho é a Nota de Devolução emitida pelo destinatário.
Carta de Correção Eletrônica (CC-e): corrige erros que não alteram valores, datas, partes envolvidas ou descrição da mercadoria. Limite de 20 cartas por nota.
Contingência: e se a SEFAZ cair?
Sistemas modernos têm modo de contingência:
- SVC-AN ou SVC-RS: SEFAZ Virtual de Contingência. Usada quando a SEFAZ principal está offline.
- EPEC: Evento Prévio de Emissão em Contingência. Garante que a venda pode prosseguir mesmo com SEFAZ totalmente fora do ar.
- FS-DA: Formulário de Segurança em papel — último recurso, raramente usado hoje.
NF-e para MEI: regras especiais
MEI não é obrigado a emitir nota fiscal em vendas para pessoa física consumidor final. Mas é obrigado em vendas para outras pessoas jurídicas.
Para emitir, o MEI precisa:
- Verificar se sua atividade exige Inscrição Estadual (varia por estado)
- Para serviços: emitir NFS-e direto no site da prefeitura (geralmente sem certificado)
- Para produtos: usar emissor gratuito da SEFAZ ou contratar sistema simples (a partir de R$ 30/mês)
Resumo
Emitir NF-e é um processo de 6 passos que, depois de configurado, leva menos de 2 minutos por nota. O segredo está na configuração inicial correta: regime tributário certo, certificado válido, cadastro de produtos com NCM/CEST/CFOP corretos.
Quem emite nota desde o início — mesmo MEI sem obrigação formal — profissionaliza a operação, ganha credibilidade B2B e evita ter que correr atrás de regularização anos depois quando o negócio cresceu.
Antes de emitir, confira o cliente
Razão social, situação e regime tributário em segundos.